Agro

Queda nas importações de fertilizantes acende alerta

A queda no volume de fertilizantes importados pelo Brasil acende um sinal de atenção para a oferta de insumos e os possíveis impactos sobre o manejo das lavouras. Segundo Antonio Prado G. B. Neto, consultor do agronegócio, os dados recentes mostram uma redução expressiva nas compras externas, ao mesmo tempo em que os preços médios avançaram

Por chefpablolima@gmail.com | 10/09/2026 06:12

A redução das importações não significa, necessariamente, menor aplicação

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A queda no volume de fertilizantes importados pelo Brasil acende um sinal de atenção para a oferta de insumos e os possíveis impactos sobre o manejo das lavouras. Segundo Antonio Prado G. B. Neto, consultor do agronegócio, os dados recentes mostram uma redução expressiva nas compras externas, ao mesmo tempo em que os preços médios avançaram.

Em agosto de 2026, o país importou 3,0 milhões de toneladas de fertilizantes químicos, volume 43,2% menor que o registrado em agosto de 2025. No mesmo período, o preço médio subiu 12,8%. Com isso, mesmo diante da forte retração no volume, o desembolso caiu apenas 35,9%, somando US$ 1,2 bilhão.

No acumulado de janeiro a agosto, as importações chegaram a 25,4 milhões de toneladas, queda de 13,8% frente ao mesmo intervalo de 2025. O gasto, porém, permaneceu praticamente estável em US$ 10 bilhões, com recuo de 0,1%, reflexo de uma alta de 15,9% no preço médio.

A redução das importações não significa, necessariamente, menor aplicação nas lavouras, já que estoques, entregas internas e o momento das compras também influenciam esse quadro. Ainda assim, caso a menor oferta chegue ao campo, há riscos de redução das doses aplicadas, menor reposição de nutrientes, perda gradual da fertilidade do solo e limitação do potencial produtivo.

Em um cenário de margens apertadas e crédito mais restrito, o fertilizante pode ser visto como um custo a ser cortado. A avaliação do consultor é que a decisão deve priorizar o uso mais eficiente, com análise de solo, equilíbrio entre nutrientes, correção do perfil e melhor retorno por real investido. O volume importado passa a ser um indicador relevante para os próximos meses, diante do risco de comprometer a produtividade e o patrimônio produtivo acumulado no solo.


Fonte: Agrolink