Brasil

Papa Leão pede união para superar divisões na América do Sul

Por REDAÇÃO | 07/11/2026 16:08

O Papa Leão exortou neste sábado cerca de 40 mil pessoas — muitas das quais passaram a noite à sua espera, sob chuva, na região da fronteira entre o Uruguai e a Argentina — a superarem suas diferenças, enquanto percorre uma região marcada por acentuadas divisões políticas.

Leão, em uma ambiciosa viagem de 12 dias por três países, até 17 de novembro, percorreu cerca de 750 quilômetros no trajeto de ida e volta entre Montevidéu e Paysandú, um centro econômico ribeirinho no noroeste do Uruguai, no noroeste do país. Multidões se reuniram no local sob forte chuva, que diminuiu pouco antes de sua chegada.

Ele foi o primeiro papa a visitar a cidade, escolhida pelo Vaticano como local para a primeira missa de Leão na América do Sul por ser de fácil acesso aos peregrinos de toda a região.

A multidão reunida em um extenso parque na extremidade sul da cidade explodiu em aplausos e tocou buzinas em alto volume enquanto Leão desfilava em um papamóvel aberto, em meio a ventos fortes.

Em seu sermão, Leão inspirou-se na vizinha Ponte Internacional General Artigas, que liga o Uruguai à Argentina.

“Não é difícil imaginar os benefícios que uma ponte traz: abertura, comunicação e intercâmbio. É por isso que é tão importante sermos construtores de pontes!”, disse ele.

“Essa é a vocação à qual todos somos chamados: construir pontes, fortalecer laços, unir, comunicar.”

O fiel Mariano Méndez, de 36 anos, que viajou de Buenos Aires para ver Leão, disse que o papa criou “uma energia muito inspiradora”.

“O fato de ele ter vindo visitar a América Latina realmente enche o coração.”

O pontífice de 71 anos está realizando uma das viagens internacionais mais exigentes de um líder católico nas últimas décadas, menos de um mês após ter sido submetido a uma cirurgia para tratar um câncer de pulmão.

Leão, o primeiro papa nascido nos Estados Unidos, visita o Uruguai, uma das democracias mais estáveis da América Latina, até domingo. Esta é a primeira parada de uma viagem que também o levará à Argentina e ao Peru.

O Vaticano descreveu a viagem como um “retorno às origens” para Leão, que atuou como missionário no Peru por décadas e se tornou cidadão peruano.

Espera-se que o papa, que tem criticado veementemente o rumo da liderança global nos últimos meses, aborde uma série de questões que afetam o continente durante a viagem, incluindo a destruição ambiental, o tráfico de armas e a instabilidade política regional.

Em seu primeiro discurso da viagem, proferido perante autoridades do governo uruguaio na tarde de sexta-feira, ele exortou os países sul-americanos a enfrentarem juntos as questões regionais e a darem o exemplo em matéria de cooperação internacional.

Leão liderará vários eventos neste sábado em Montevidéu, incluindo uma vigília noturna de oração que deve atrair cerca de 60 mil jovens.

O papa também seguirá para Casavalle, um bairro na periferia norte da capital marcado pela violência e pela criminalidade relacionada ao tráfico de drogas.

O reverendo Pablo Coimbra, pastor de uma igreja que Leão visitará, disse à Reuters que espera que o papa levante o ânimo de uma comunidade que muitas vezes se sente esquecida.

“É uma área esquecida pelos governos e pelas instituições”, disse Coimbra sobre o bairro, classificado como zona “vermelha” pela polícia, onde os moradores costumam ouvir tiros em meio a disputas territoriais entre traficantes.

Leão encerra sua visita ao Uruguai na manhã de domingo. Na tarde do mesmo dia, seguirá para a Argentina, onde se encontrará com o presidente Javier Milei, um libertário visto como aliado próximo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Trump criticou duramente Leão no início deste ano, depois que o papa se manifestou contra a guerra no Irã.

Fonte: Agência Brasil